Você abriu o Trello na segunda-feira de manhã em 2025 e a tela estava diferente. Os botões trocaram de lugar. O comentário direto no card sumiu. A data no item do checklist não estava mais lá. Você não estava louco — a Atlassian havia rodado o redesign mais polêmico da história do produto, e o fórum oficial começou a encher de threads pedindo a versão antiga de volta.
Se você gerencia uma equipe pequena no Brasil — agência, escritório, varejo, software house — provavelmente já se pegou pensando: "será que tem outra ferramenta que faça o básico bem feito?" A resposta curta é sim. A resposta honesta é mais longa.
O que aconteceu com o Trello em 2025
A Atlassian já vinha indicando há tempos que queria empurrar o Trello para um lugar diferente do que ele sempre foi. Em 2025 essa direção virou produto: redesign visual completo, mudança na hierarquia de telas, e — o que mais doeu nos usuários antigos — features pequenas mas importantes que simplesmente desapareceram.
A reação foi pesada. O fórum oficial da Atlassian acumulou centenas de posts de reclamação em poucas semanas. A revista The Register publicou cobertura crítica chamando o movimento de um dos piores redesigns recentes da indústria de software. Em entrevistas, gerentes de produto da Atlassian deixaram claro o que vinha pela frente: o Trello estava sendo transformado em algo "completamente diferente", e quem precisasse de mais profundidade deveria considerar migrar para o Jira.
Para o usuário típico de PME brasileira, isso significa duas coisas ruins:
- A ferramenta que você adotou pela simplicidade está virando outra coisa — sem aviso prévio, sem manter compatibilidade com o jeito que sua equipe trabalhava.
- A "saída de emergência" sugerida pela própria Atlassian é o Jira, que custa em torno de US$ 16 por usuário/mês no plano Premium, em dólar, com complexidade que normalmente exige um administrador dedicado.
Por que isso aconteceu
Vale entender o porquê antes de partir para alternativas. O Trello sempre foi um produto pequeno dentro do ecossistema da Atlassian. A receita real da empresa vem do Jira e dos produtos corporativos. O Trello captava milhões de usuários no plano gratuito, mas convertia pouco para planos pagos — e quase nunca para tickets altos.
A decisão de redesenhar e reposicionar é, pela ótica do negócio, racional: ou o Trello vira uma porta de entrada melhor para o ecossistema Atlassian, ou perde sentido manter o investimento. O problema é que essa lógica ignora o que fez o produto crescer em primeiro lugar — e atropela quem dependia da estabilidade dele.
O que sobrou de bom (e o que ficou mais difícil)
O Trello continua tendo um plano gratuito generoso para usuários individuais e equipes muito pequenas. O conceito de Kanban com cards e listas continua intuitivo. E para alguém que está conhecendo gestão de tarefas pela primeira vez, ele ainda funciona como porta de entrada.
Mas para uma equipe que cresceu dentro dele, alguns limites incomodam:
- O plano gratuito ficou apertado: 10 boards, 10 colaboradores, 1 Power-Up por board.
- Funcionalidades básicas que muitas equipes esperam — dependências entre tarefas, controle de tempo nativo, relatórios decentes, Gantt sem plugin — nunca foram prioridade no produto.
- A simplicidade que atraiu vira gargalo quando você precisa enxergar o trabalho de várias pessoas em vários projetos ao mesmo tempo.
- Mudanças no produto chegam sem perguntar — e algumas tiram coisas que sua equipe usava no dia a dia.
As alternativas reais
Antes de sugerir qualquer ferramenta específica, vale ser honesto: não existe substituto perfeito. Cada opção tem um trade-off:
ClickUp. Tem todas as features que faltam no Trello, mas tem fama merecida de ser pesado, complicado e cheio de bugs. As menções negativas no G2 ultrapassam mil só para "performance" e "curva de aprendizado". A diferença entre "members" e "guests" no plano pago é responsável por contas que dobram de um mês para o outro sem aviso.
Jira. A "saída oficial" sugerida pela Atlassian. Funciona muito bem para times de engenharia grandes que têm um administrador dedicado. Não foi feito para o financeiro, RH, marketing ou operação da sua empresa — e os preços em dólar pesam no orçamento de PME.
Asana, Monday, Notion. Cada um com seu nicho. Asana é forte para times de marketing, mas em inglês primeiro. Monday tem visual bonito mas custa caro em dólar. Notion é flexível demais — vira bagunça sem disciplina. Todos pensados para o mercado americano em primeiro lugar.
taskem. É a opção que estamos construindo aqui, então o disclaimer é óbvio: temos viés. Mas vale explicar o ângulo, e você decide se faz sentido.
Como o taskem se posiciona nessa escolha
O taskem foi pensado a partir de uma observação simples: quase toda PME brasileira que abandona o Trello acaba indo para uma ferramenta americana cara, complexa demais ou as duas coisas. Faltava uma opção feita primeiro para o jeito brasileiro de trabalhar.
Algumas decisões concretas que tomamos:
- Setup em minutos, não em semanas. Sem precisar de um "admin" dedicado, sem terminologia de engenharia (sprints, épicos) que aliena o resto do time.
- Preço em real. R$ 19,90 por usuário/mês no plano Pro e R$ 35,90 no Business. Sem exposição cambial, sem armadilha de "guest virou member" inflando a fatura.
- Bot de WhatsApp com IA. Boa parte do trabalho real numa PME brasileira acontece no WhatsApp. Em vez de fingir que isso não existe, integramos: você cria, atualiza e consulta tarefas direto pelo WhatsApp.
- App mobile nativo. Construído em React Native, não é uma página web mal embrulhada num app — coisa que a app store mostra na nota dos apps de gestão grandes hoje.
- Dashboard, relatórios e timesheet no plano Pro. Sem deixar o básico atrás de paywall caro.
- Português brasileiro nativo. Não traduzido do inglês — pensado em português desde o primeiro botão.
Não é a ferramenta certa para todo mundo. Se você precisa de automação industrial complexa, integração com 50 sistemas legados ou compliance pesado, provavelmente precisa de algo maior. Para a maior parte das PMEs brasileiras com times de 5 a 50 pessoas, ela cobre o caso de uso real — sem o peso do que não é necessário.
O que fazer agora
Se o redesign do Trello quebrou seu fluxo, três caminhos práticos:
- Ficar e adaptar. Se a sua equipe usa o Trello no básico do básico e o redesign não atrapalhou tanto, talvez não valha a dor da migração agora.
- Migrar para o ecossistema Atlassian. Faz sentido se sua empresa já é grande, tem caixa para Jira em dólar e está disposta a investir em treinamento.
- Testar uma alternativa nacional. Se você quer algo simples, em português, com preço previsível e com os recursos que faltam no Trello sem virar um Jira, vale colocar o taskem (e qualquer outra opção que você considere) em um teste de duas semanas.
Sem promessa de solução mágica, sem urgência artificial. A melhor ferramenta de gestão é aquela que sua equipe efetivamente abre todos os dias — e isso só dá pra descobrir testando com o trabalho real, não com o caso de demonstração.